Renascer

 Quando eu olhava para dentro de mim,

A minha antiga versão me encarava.

Mas, quando eu olhava no espelho,

A nova sorria:

Ela amava.


A antiga ainda lutava para voltar,

Havia sido sufocada viva

No lugar interno que ninguém visitava,

Enterrada nas profundezas do vazio.


Enquanto a versão nova fazia seus planos,

Olhava adiante e comemorava,

Havia feito uma redução de danos

Daquilo que para ela não mais prestava.


E seguidamente dos outros ouvia:

"Ah, como ela está mudada!"

Mas o que todo mundo esquecia

É que ela morreu porque ninguém a escutava.


Um dia acordou sem som,

Como se algo tivesse morrido.

Afundou-se no seu novo eu

Para que o antigo fosse sucumbido.


E, no fim de tudo,

Apenas morreu.

Morreu ainda em vida,

Por dentro e sozinha,

Para que pudesse viver finalmente

Aquilo que já deveria ter vivido.

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